Tudo está em processo de transformação. Como nós poderíamos escapar dele?

Artwork: Marceli Mazur

Estamos vivenciando um momento de grandes mudanças. Sim, eu, você, todas as pessoas neste momento, não há como negar isso. O mundo está atravessando um processo intenso e não temos como voltarmos ao que era antes dessa pandemia. 

O maior impacto certamente foi na área da saúde, que teve de se adaptar rapidamente e acelerar processos para acompanhar a curva de crescimento e a velocidade do contágio, disponibilizando vacinas em um tempo recorde. O campo do trabalho e da tecnologia sofreram um impacto que mudou totalmente o cenário e afetou o nosso cotidiano de modo indelével. 

Tudo está em processo de transformação, como nós poderíamos escapar dele?

Momentos de convulsão social e transformações profundas sempre provocam efeitos em nosso campo emocional e mental. Talvez por isso muito mais pessoas estejam experimentando um aumento dos sintomas de ansiedade, agitação mental, inquietação e tristeza. Em um contexto como o que estamos vivenciando, é um quadro previsível e nem toda pessoa que tem experimentado esses sintomas pode se considerar portadora de um transtorno mental, que é algo bastante sério e que necessita de diagnóstico realizado por profissionais da área de saúde mental. 

De qualquer modo, se você vem se sentindo assim, é importante avaliar se necessita de acompanhamento psiquiátrico, mas somente o médico poderá dizer se você precisa fazer uso de medicamentos. Mas certamente qualquer pessoa se beneficia de acompanhamento terapêutico, não só pontual como frequentemente.

Como hipnoterapeuta, eu tenho buscado oferecer meditações guiadas e reflexões em meus canais em uma tentativa de ajudar as pessoas a se sentirem melhor e mais calmas, a aprender estratégias e adquirir ferramentas para mudar o seu estado emocional. 

Tantas pessoas têm sentido necessidade de um acompanhamento mais amiúde, que os processos do Percurso estão com lista de espera e estou desenvolvendo jornadas de autoconhecimento online para ajudar o maior número de pessoas possível.  

Nesse processo de transformação que estamos atravessando, talvez você esteja se sentindo como a borboleta que cresceu demais em seu casulo e não está encontrando forças para rompê-lo e se libertar. Afinal de contas, após um ano em confinamento e sem perspectivas de um retorno imediato ao convívio social, a sensação de opressão pode realmente estar mais aguda. 

Pode estar com uma sensação de vulnerabilidade, como uma lagosta que cresceu demais para sua casca e tem de deixá-la para criar outro exoesqueleto que a comporte. No processo de transição, ela pode se sentir muito indefesa com seu corpo mole e frágil, circulando em mar aberto. 

Ou ainda, pode se assemelhar a um passarinho dentro do ovo, no escuro e com certa sensação de urgência, bicando com toda a força possível para romper o invólucro que o aprisiona, sem sequer saber o que o aguarda. 

Mesmo que naturais e instintivos, nenhum desses eventos é simples, fácil ou livre de dor. Mas em quaisquer dos casos, completar o processo de transformação é necessário para a evolução e para a sobrevivência. 

Um Percurso Terapêutico inspira mudanças e produz transformações. Eu costumo dizer que não é um passeio ao parque com direito a algodão doce e que é mais parecido a estar em uma montanha russa ou um barco viking. Assim como os casos que citei acima, o processo de autoconhecimento requer força, coragem e persistência para quebrar a casca e se transformar em uma nova versão de si. 

O que é preciso para se abrir a transformação? Na minha opinião, já que as mudanças são inevitáveis, é necessário em primeiro lugar aceitá-las e em segundo, entender para onde elas estão direcionando, em que campo da vida elas estão ocorrendo e, principalmente, onde você quer chegar e como quer estar no final. 

Sim, você escolhe. Eu imagino que você deve estar pensando que não, que as mudanças nos atropelam, principalmente quando elas são tão exponenciais. Bem, o fato é que a borboleta, a lagosta e o passarinho têm duas escolhas e uma delas significa a morte. 

No nosso caso, em geral a realidade não é tão rigorosamente dualista e extrema quanto essa e temos, entre um polo e outro, diversas opções, possibilidades e oportunidades. 

Então, vamos investigar algumas delas, vou lhe propor algumas questões:

  1. Diante do cenário atual, que tipo de mudança está se impondo a você?
  2. Quais as opções que você possui?
  3. Que oportunidades essa mudança oferece para sua evolução pessoal?
  4. O que você precisa para se adaptar e criar outras possibilidades?

E se não souber a resposta, está tudo bem. Você tem tempo para descobrir: o tempo de uma vida.  E que seja bem vivida!

Abraços de elevar e até a próxima!